Alberto Almeida aponta transição

Por Janaína Araújo
foto: Luis Silva Santos

O médico, homeopata e psicoterapeuta Alberto Almeida foi o palestrante que abriu o 2º Congresso Espírita do Distrito Federal, na noite de 13 de abril. Ele ressaltou a importância de tomar nossa vida nas próprias mãos e promover, em nós, a transição que tanto é atribuída ao planeta Terra. “As mudanças, como disseram os Espíritos a Allan Kardec, se insurgem durante séculos, mas nós ainda não aprendemos a ser gente com a gente e precisamos, em nós mesmos, fazer a transição planetária”, disse Alberto.

O palestrante observou que o físico da Terra não vai passar por mudanças tão diferentes das quais já passou, mas as entranhas da humanidade vão mudar. “Nós, que habitamos esse planeta, estamos num movimento interno”, disse ele, acrescentando que é preciso nos perguntar em que mãos  estamos colocando nossa vida. “Se colocamos nossa vida nas mãos de Jesus,  devemos nos lembrar que Cristo não veio nos substituir no nosso esforço”, afirmou Alberto, ao alertar que nossa vida deve estar nas nossas mãos, para não nos apavorarmos com a possibilidade de catástrofes naturais e tomarmos atitudes desesperadas para fugir delas.

A principal ocupação que deve reger nossa vida,  assinalou o médico, deve ser o bem para o mundo, “aumentando o exército de amorosidade e de solidariedade, tendo um olhar de engajamento e de responsabilidade na sociedade”. Segundo Alberto Almeida, não devemos ser reféns de sentimentos, mágoas e culpas, nem nos colocarmos nas mãos de ninguém. “Devemos deixar de reclamar e de procurar culpados, pois as culpas e mágoas do passado impedem a transição em nós mesmos”, alertou, ao dizer, ainda, que a mudança do planeta precisa, antes, ser vista dentro de nós mesmos.

Diante das notícias de que o planeta está fechando um ciclo, afirmou Alberto, há duas posturas que se destacam: a materialista e a fantasiosa. A primeira, de acordo com o médico, quer determinar, por exemplo, a não validade do nascimento de crianças anencéfalas. A segunda, aponta, escurece o sentido simbólico da fala bíblica. “Eu já ouvi opiniões pequenas, fantasmagóricas, como a do ‘planeta Chupão’, que virá e ‘levará os que não estiverem fazendo o bem’”, citou o médico.

A educação de nós mesmos, para que nos conectemos com a realidade, e não com a fantasia, e a boa orientação daqueles que estão sob a nossa tutela foram destaques na fala de Alberto Almeida. “Temos limitações emocionais e, muitas vezes, somos regidos por comandos que se deram dentro do útero ou na infância, e, frequentemente, o que tentamos sepultar ainda está vivo dentro de nós. O que depositamos no outro fala dos sentimentos em que estamos aprisionados”, disse o médico, ao acrescentar que também é preciso ter cuidado com a criação de fantasias dentro de explicações espíritas.

O papel do Espiritismo

Na avaliação de Alberto Almeida, o Espiritismo não faz a mudança planetária, mas é uma alavanca. “A transição da Terra vem se dando, e o Espiritismo faz parte desse movimento, dessa conjuntura de transformação. É cúmplice e significativo nesse processo”, disse ele, que apontou quatro características da doutrina para instaurar a fraternidade:  a primeira é a de ser progressista, pois está aberta aos avanços. A segunda é o fato de sintetizar a filosofia, a ciência e a religião.

O terceiro ponto favorável do Espiritismo, segundo o médico, é o de abranger as questões que aborda, trazendo contribuições na sua interface. “A doutrina não tem a intenção de ser uma concepção única da vida; ela estabelece pontes”, ressaltou Alberto, que assinalou o poder moralizador como a quarta característica importante do Espiritismo. “Há o resgate da moral do Cristo, quando somos chamados a experienciar o amor”, salientou.

O psicoterapeuta analisa que o homem conseguiu avanços materiais, mas ainda não conseguiu mergulhar pra dentro, penetrar o âmago do ser espiritual. “No futuro, ao viajar para a subjetividade do ser, o homem não terá apenas conforto e, sim, carinho e ternura. Por enquanto ainda temos dificuldade de coabitar em nossa própria casa, de ser com o vizinho de porta, no metrô, no supermercado, na via pública”, observou, ao afirmar que, presos ao ego e às negatividades, temos dificuldades de fazer mudanças.

Mas o Espiritismo, diz o palestrante, propõe a re-conexão: além do ego, um eu divino. A doutrina proporciona ao ego fazer o seu declínio. “Nossa consciência e nossa essência devem estar ligadas à lei divina. Na nossa natureza mais profunda somos centelha divina, conforme nos diz o Livro dos Espíritos. No nível egóico, não conseguimos suportar as dores da vida”, avalia ele, ao afirmar que a natureza humana se atormenta, se desconsidera a divindade. Para Alberto Almeida, o ego é um péssimo governante e um ótimo serviçal, se está sujeito ao “eu sagrado”.

A transição de nossa personalidade, considera o médico, pode revelar um “Cristo ambulante” se manifestando. “Vivemos momentos decisivos, e essa mudança pode gerar uma abordagem afetiva e efetiva com as pessoas. Iremos sentir Deus em tudo e em todos, como em filhos anencéfalos que comunicam a transcendência”, disse o palestrante, que finalizou o primeiro dia do Congresso Espírita do DF declamando o poema ‘Quem foi que fez?’, de João de Deus Limeira.

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